Blade Runner | Resenha

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Ano: 1982
Título Original: Blade Runner
Dirigido por: Ridley Scott
Avaliação: ★★★★★ (Excelente)

Ridley Scott tem seu nome definitivamente marcado na história da ficção-científica pelo legado criado nos anos 80. O pai da franquia Alien é também o responsável por Blade Runner – adaptação do romance futurista de Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, de Philip K. Dick – se tornar uma das maiores referências do gênero quando falamos de cinema.

Um filme à frente de seu tempo, ofuscado à época por sucessos estrondosos de bilheteria como ET – O Extraterrestre, Blade Runner: O Caçador de Androides (como foi lançado no Brasil) é muito mais que uma adaptação de uma complexa obra literária. Tornou-se um propagador do cyberpunk, influenciando obras futuras nas mais diversas plataformas de entretenimento, incluindo animes e mangás como Ghost In The Shell e Cowboy Bebop e a franquia cinematográfica Matrix.

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Blade Runner se passa numa realidade onde os seres humanos, buscando a ampliação de sua existência e com a eminente escassez de recursos na Terra, exploram outros planetas e sistemas. Para isso, uma megaempresa denominada Tyrell Corporation desenvolveu máquinas capazes de superar os limites humanos, os chamados Replicantes – androides de aparência humana, mas com inteligência equiparável e habilidades físicas superiores.

No entanto, uma linha de última geração dos androides, batizada de Nexus 6, supera todos os limites conhecidos e passa a agir por conta própria, assassinando humanos e, fugindo de volta ao nosso planeta, passam a buscar uma forma de estenderem suas vidas e transpassarem a vontade de seus criadores. Para detê-los, Rick Deckard (Harrison Ford), considerado o maior caçador de replicantes de todos os tempos, é forçado a deixar sua aposentadoria e investigar o grupo de androides liderado por Roy Batty (Rutger Hauer).

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A missão de Deckard torna-se mais complicada após conhecer Rachael (Sean Young), uma inteligente e intrigante mulher que trabalha para a Tyrell Corporation e que o agente suspeita ser também uma replicante. A relação com Rachael faz com que o caçador de androides passe a questionar sua própria existência, levando o espectador a também se indagar sobre os possíveis rumos do filme e se não estamos, desde o início, sendo induzidos a acreditar em determinado desfecho.

Além do visual belíssimo do filme em tempo integral – a Los Angeles futurista, sombria e chuvosa é um cenário de caos cibernético perfeito -, as tomadas de câmera aprofundam a dramaticidade das descobertas de Deckard e os conflitos vividos pelos replicantes. As reações destes – vezes exacerbadas, vezes frígidas – expressam com perfeição a ideia de máquinas com sentimento adquirido, não nato, de forma que tornam-se assustadores de lidar – Daryl Hannah como Pris e Rutger Hauer como Roy destacam-se, especialmente. Hauer, inclusive, possui algumas das falas mais memoráveis do longa e foi imortalizado no papel do líder dos replicantes.

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Acima da estética, temos também o questionamento visionário sobre a busca incessante da humanidade pelo prolongamento de sua existência. Há diversos possíveis paralelos, dentre os quais a forma como enxergamos em nossas criações, sejam elas máquinas, obras ou mesmo filhos, uma forma de perpetuação da vida; ou os avanços constantes na engenharia genética e a definição de limites éticos para seu uso, que podem, ao invés de estender nossa duração de vida, levar a sociedade a um colapso existencial. Vale lembrar que o filme foi lançado em 1982, época em que tais realidades tecnológicas e científicas ainda estavam anos-luz de distância, diferentemente dos dias atuais.

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Com ares de suspense noir envolto em ficção, Blade Runner esconde muito mais camadas a serem contempladas e, não à toa, é um daqueles filmes cult realmente indispensáveis. Assista e prepare-se para Blade Runner 2049, que estreia nesta quinta-feira, dia 5, em todo país.

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