Elefante Branco – Resenha

elefante branco

Resenha do filme argentino Elefante Branco, estrelado por Ricardo Darín

Ano: 2012
Título Original: Elefante Blanco
Dirigido por: Pablo Trapero
Avaliação: ★★★★☆ (Ótimo)

Cinema argentino e Ricardo Darín são quase sinônimos, e a presença do maior astro de filmes hermanos em uma película já é basicamente um atestado de qualidade. Não é diferente com Elefante Branco, destaque do Festival de Cannes em 2012 e que toca em um assunto sempre delicado: a Igreja.

Indo muito além das boas atuações de Darín, Elefante Branco aborda uma Buenos Aires pouco conhecida dos olhos estrangeiros, sem todo aquele glamour e ar vintage, mas sim em seus guetos e favelas. A trama apresenta um grupo de padres que atua em uma comunidade na periferia da capital argentina, onde residem junto à boa parte dos moradores em um complexo abandonado durante o regime militar (o tal elefante branco do título – ou seja, uma obra que teve alto custo e acabou não finalizada. No caso, um hospital que seria o maior da América Latina).

elefante branco

Somos apresentados a Julián (Darín), líder da congregação local que lidera os esforços da Igreja na tentativa de pacificar a violenta comunidade e conseguir maior infraestrutura aos residentes locais, inclusive intercedendo junto ao poder público para o avanço de obras. Julián recebe o reforço de Nicolás (Jérémie Renier), um padre belga que acabara de retornar de uma missão na Amazônia, lidando com o trauma de sobreviver a um terrível massacre na mata.

Especialmente sob a ótica de Nicolás, o filme explora a dura realidade da periferia de uma grande cidade, a disparidade entre a grande capital e seu lado mais obscuro, a relação entre Igreja e Estado e a banalização da violência em locais onde o poder público basicamente se faz ausente. A forma como o padre estrangeiro lida com as situações presenciadas, basicamente indo de confronto à posição de seu superior (o padre Julián) é um dos pontos fortes do filme.

elefante branco

A atuação de Jérémie Renier é o ponto alto do longa, e dada a perspectiva e relevância do personagem na narrativa, pode-se assumir que Nicolás é configurado como o protagonista, especialmente se analisarmos o ponto de vista de quem vê a situação da favela em Buenos Aires “de fora” (como nós, espectadores). O padre belga ganha ainda mais camadas diante da relação com Luciana (Martina Gusmán), uma assistente social que o fará questionar a visão que possui sobre a Igreja e seus votos de celibato.

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Ao mesmo tempo que aborda a questão social e política, Elefante Branco atesta um ponto de referência muito interessante: a atuação da Igreja como entidade social dentro da sociedade. Em um filme com poucos diálogos, se sobressai as breves porém intensas discussões levantadas entre Julián e Nicolás a respeito dos limites em que o clero, com o alcance político e social que possui, possa interferir na melhoria de vida da sociedade, sendo mais participativo e indo além do discurso.

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Com boas atuações, uma fotografia incrível, crítica social bem construída e uma abordagem relevante e interessante sobre a história argentina, Elefante Branco é uma ótima pedida a quem quer deixar um pouco de lado as produções hollywoodianas e conhecer mais do rico cinema latinoamericano. Tem na Netflix.

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