Joe

Ano: 2013
Título Original: Joe
Dirigido por: David Gordon Green
Avaliação: ★★★☆☆ (Bom)

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Quando vemos um novo filme envolvendo o nome de Nicolas Cage, uma certa desconfiança inevitável surge e não é para menos, afinal de alguns anos para cá, a escolha de Cage para papéis tem sido bem desastrosa. Mas felizmente aqui, ele mostra que ainda tem grande potencial. Na trama temos Joe (Cage), um ex detento que hoje vive trabalhando em uma madeireira, onde corta árvores fracas e coloca veneno nelas, para assim ficarem inutilizáveis e assim serem cortadas, dando lugar a pinheiros. Logo seu caminho cruza com o de Gary (Tye Sheridan) adolescente de 15 nos que acaba de chegar a cidade. A vida de Gary é conturbada, cheio de problemas familiares, especialmente com seu pai. Sem dinheiro algum para sustentar a família, Gary pede emprego a Joe, que logo simpatiza com o garoto e lhe dá uma chance. Tanto Joe quanto Gary estão em caminhos tortuosos, e  assim que seus caminhos se cruzam, ambos começam a aprender um com o outro.

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O roteiro do longa tem um ritmo lento e vai se desenvolvendo aos poucos, e com algumas coisas deixadas no ar para o espectador deduzir. O clima de drama é muito bem construído, os personagens estão mal e você pode sentir isso só de olhar para eles. Cada qual leva seu fardo. A ambientação suja e pesada, o sentimento de desolação que aflige o núcleo de personagens, tudo isso fica muito visível e palpável. E claro isso se deve muito a interpretação do elenco, que está sensacional. Cage entrega uma atuação dele que a muito tempo não se via. Sério, mórbido, carrancudo e visceral, ele consegue passar toda carga que seu personagem carrega e que agora tenta viver uma vida simples e de paz, mas que tem sérias dificuldades em se readaptar. E o garoto Sheridan mostra porque é um dos novos nomes do momento, pois ele manda muito bem também. Seu papel como Gary exige momentos de drama pesados dos quais ele se saí muito bem.

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O filme só não levou uma nota maior porque em meio aos fatos dá a impressão que faltou um pouco mais de profundidade entre os atos para amarrar melhor as coisas até a sua conclusão. Mas só de ver Cage novamente bem, o filme já vale a pena. O longa nos mostra como as vezes por mais que tentemos, não é possível mudar, infelizmente. Tem coisas que temos que aceitar e conviver. Há situações que simplesmente são como as árvores envenenadas que acabam apodrecendo, e logo são cortadas para dar lugar a novas, e assim obter um recomeço.

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