Meia-Noite em Paris | Resenha

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Ano: 2011
Título Original: Midnight in Paris
Dirigido por: Woody Allen
Avaliação: ★★★★★ (Excelente)

Encantador. Se uma palavra pode definir Meia-Noite em Paris, não há adjetivo mais apropriado.

O filme de Woody Allen é uma obra-prima que foge de qualquer temática romântica corriqueira e proporciona uma experiência imersiva pela história e, especialmente, aos amantes da arte e literatura. Em seus pouco mais de noventa minutos, Allen nos transporta para uma “época de ouro” de uma sociedade movida pela arte e cerceada por um romantismo nato.

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Gil Pender (Owen Wilson) é um roteirista de filmes hollywoodianos que aspira se tornar escritor, passando a trabalhar incessantemente em um livro no qual aposta todas suas fichas. De passagem por Paris junto à sua noiva, Inez (Rachel McAdams), e seus sogros, Gil se vê inspirado pela cidade e expressa seu desejo de morar lá. Inez, que já não o apoia na nova empreitada literária, o contraria em relação à ideia de viver em Paris e é apoiada pelos pais. A situação piora quando encontram Paul (Michael Sheen), um antigo amigo de Inez pela qual ela parece ter uma queda.

Em uma noite na qual retornava só para o hotel, após o soar dos sinos da meia-noite, Gil é surpreendido por um carro antigo e convidado a embarcar. Ao descer, percebe que está em um salão de época – mais precisamente, da década de 20, a que considera a mais inspiradora da história de Paris – e depara-se com figuras históricas como os consagrados escritores F. Scott e Zelda Fitzgerald (Tom Hiddleston e Alison Pill, respectivamente), que logo tornam-se seus amigos. O que parecia ser um sonho ou fruto de uma bebedeira torna-se um ritual diário e, todos os dias, à meia-noite, o escritor embarca no tempo para viver algumas horas junto de alguns dos seus maiores ídolos e inspirações.

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A ambientação da década consagrada é incrível e imersiva, seja nos mínimos detalhes nos cenários e figurinos, ou nas atuações das figuras históricas as quais somos apresentados. Fazemos, junto de Gil, uma viagem por Paris e sua história, e também à história da arte, onde somos apresentados à figuras que vão de Pablo Picasso e Luis Buñuel a Ernest Hemingway, captados em sua essência, ao mesmo que ficamos deslumbrados em imaginar como a cidade-luz era um reduto capaz de reunir tantas figuras geniais em um mesmo contexto e época, em virtude de seu ar inspirador.

Owen Wilson, conhecido especialmente por seus papéis recorrentes (e quase sempre idênticos) em filmes de comédia, surpreende com uma ótima atuação dramática na pele do escritor. A interpretação e caracterização dos grandes artistas que surgem ao longo da trama são impressionantes e convincentes, especialmente Corey Stoll como Hemingway e Adrien Body como Salvador Dali. Destaque também para Marion Cotillard, cuja personagem possui um papel-chave no filme.

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Certamente, para quem já foi a Paris ou possui conhecimento mais aprofundado sobre a história da capital francesa, a experiência deve ser ainda mais empolgante devido às inúmeras referências transmitidas. Mas, mais do que uma ode à história da arte e à cidade-luz, Meia-Noite em Paris traz um questionamento recorrente em nossa sociedade sobre a constante insatisfação com o tempo presente e a necessidade de buscar, no passado, a inspiração para a vida de um tempo do qual não temos domínio.

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