Princesa Mononoke | Resenha

Princesa Mononoke

Ano: 1997
Título Original: Mononoke Hime
Dirigido por: Hayao Miyazaki
Avaliação: ★★★★☆ (Ótimo)

Um dos maiores clássicos de Hayao Miyazaki, o longa lançado em 1997 está completando 20 anos e segue como uma das obras mais importantes da história da animação japonesa e com contexto bastante reflexivo, que se mantém atual.

Menos famigerado no Brasil que outras obras do Studio Ghibli como A Viagem de Chihiro e Meu Amigo Totoro, Princesa Mononoke (ou Mononoke Hime, no original) conta a estória de Ashitaka, príncipe de um povoado nobre que é atacado por um deus-Javali (um Tatari Gami) irrefreável. Ashitaka consegue detê-lo, mas é ferido na batalha e acaba amaldiçoado, sendo obrigado a deixar seu povo em busca da cura para a maldição.

Princesa Mononoke

Em sua jornada, o príncipe chega à terra dos mineradores, uma grande siderúrgica liderada por Lady Eboshi, onde é acolhido após salvar dois dos residentes locais. Ashitaka presencia a rotina dos moradores, que vivem em guerra com um grupo de samurais e também com os deuses-animais da floresta – destino final onde ele deve encontrar sua cura. Em meio a um dos confrontos, o guerreiro conhece San, a princesa da floresta, e logo se vê diante de um impasse entre os dois lados do longo conflito, tentando, de algum modo, mante-los em paz enquanto busca sua própria cura.

Princesa Mononoke faz uma ótima leitura sobre a questão de equilíbrio da natureza usando aspectos e figuras tradicionais da cultura japonesa como mensageiros da estória, colocando os deuses-animais como representantes da natureza e o povo da siderúrgica como os homens e sua constante agressão ao meio-ambiente. As cenas que mostram a fúria do Espírito da Floresta apresentam claramente uma manifestação natural como as catástrofes que presenciamos constantemente em noticiários mundo afora, decorrentes especialmente da ação desmedida do homem contra a natureza.

Princesa Mononoke

Os personagens também são incríveis e carismáticos, incluindo os deuses-animais, que comunicam-se constantemente com San e Ashitaka. A relação entre o príncipe e a princesa também é estabelecida de forma natural, e mesmo Lady Eboshi traz consigo certo carisma decorrente de sua personalidade forte e o apreço que tem por seu povo. Os alívios cômicos também estão garantidos pelos personagens secundários, e além disso, a apresentação de cada ambiente no qual somos inseridos – o vilarejo, a siderúrgica, a floresta ou mesmo o lago onde vive o Espírito da Floresta – são apresentados em detalhes, uma característica sempre presente nas obras de Miyazaki, com uma arte primorosa.

Atemporal, Princesa Mononoke é um clássico mais que recomendado e uma ótima porta de entrada para as obras do Studio Ghibli e dos filmes em animação japonesa.

https://www.youtube.com/watch?v=XKSyfeSA-jk

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Diego Betioli
Escritor, publicitário, louco por esportes e entretenimento. Autor de A Última Estação (junto com Rodolfo Bezerra) e CEP e um dos fundadores do Meta Galáxia.

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