A Maldição da Residência Hill (Netflix) – Resenha

A Maldição da Residência Hill (Netflix) – Resenha

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Título Original: The Haunting of Hill House
Ano: 2018
Diretor:Mike Flanagan
Avaliação: ★★★★★ (Excelente)

A Maldição da Residência Hill (Netflix) – Resenha

Confira nossa análise de A Maldição da Residência Hill (Netflix) – Resenha. A maldição da Residência Hill é uma série de terror escrita e integralmente dirigida por Mike Flanagan (Hush: A Morte Ouve e Ouija), que chegou à Netflix com uma proposta clichê, contudo, tornou-se uma grata surpresa!

De antemão, sobreleva notar que sou fã assídua do gênero terror e quando li a sinopse do seriado logo desanimei, já que tudo indicava que seriam 10 episódios repletos de jump scares, crianças indefesas lutando contra monstros e muito mais do clássico “feijão com arroz” do horror. Eis que logo no inicio da trama fui tocada profundamente pelo clímax tenso oriundo de uma produção muito bem construída, de modo que meu fascínio acabou originando um domingo de maratona em que fui dormir por volta das duas horas da manhã.

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Em continuidade, adentrando um pouco na inspiração para a criação, a série é baseada na obra literária de mesmo título, traduzida no Brasil como “A Assombração da Casa da Colina”, escrita por Shirley Jackson e publicada em 1959. A autora obteve a inspiração para The Haunting of Hill House após ler um artigo cientifico sobre a realização de experimentos para comprovar a existência de fenômenos sobrenaturais em casas mal-assombradas, dentre elas, a mansão Winchester, localizada na Califórnia (EUA).

O livro fora um dos primeiros a abordar a supradita temática, reconhecido inclusive pelo renomado autor Stephen King como “o melhor terror sobre casas assombradas das últimas décadas”. A obra original desenvolve a narrativa de três personagens: Theodora, uma jovem dotada de habilidades artísticas; Luke, sobrinho do dono da casa da colina; e por fim, Eleonor, moça com alto grau de mediunidade, atormentada por problemas familiares.

Perceptível para quem assiste a trama, na releitura, Mike Flanagan utilizou-se de diversas referências e personagens da criação primária, todavia, sob sua própria ótica.

Foi assim que, em outubro de 2018 fomos agraciados com a estreia de A maldição da Residência Hill, relatando a história de Hugh (Timothy Hutton) e Olivia (Carla Gugino), um casal que em 1982 se muda temporariamente para a mansão Hill junto com seus cinco filhos, sem sequer imaginar que teriam seus destinos alterados fatalmente em decorrência de uma extraordinária tragédia.

Com o decurso do tempo, enquanto o engenheiro Hugh e a arquiteta Olivia sonhavam com a casa “para sempre” e reformavam a grande e antiga mansão Hill para vendê-la por uma fortuna, os cinco irmãos vivenciavam experiências perturbadoras, capazes de modificar drasticamente a vida de cada um dos envolvidos.

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Importante enfatizar que a série aborda linhas temporais distintas, ostentando minuciosamente as características e conflitos internos de Steven (Paxton Singleton/Michiel Huisman), Shirley (Lulu Wilson/Elizabeth Reaser), Theodora (Mckenna Grace/Kate Siegel), Luke (Julian Hilliard/Oliver Jackson-Cohen) e Eleanor (Violet McGraw/Victoria Pedretti), tanto quando crianças, como após sua inserção na vida adulta.

Assim, o primeiro episódio apresenta ao espectador o personagem Steve (Michiel Huisman), o irmão mais velho que vive em intensa negativa no que diz respeito às atividades paranormais, utilizando-se, inclusive, de seu aspecto cético para consagrar seu best-seller de cunho investigativo sobre a casa em que viveu, tornando-se o “mercenário” da família.

Logo após, o seriado expõe um pouco mais sobre Shirley (Elizabeth Reaser), irmã mais velha que trabalha em uma funerária (mesmo local em que vive com seu marido e sua irmã Theodora), dotada de personalidade protetora e autoritária em relação a seus irmãos.

O terceiro episódio explora a personagem Theodora (Kate Siegel), caracterizada por sua originalidade e força, além de uma particularidade: o uso de luvas, constantemente utilizadas para evitar a absorção de emoções alheias com o simples toque, dom sensitivo que a mesma prefere negar e manejar como desculpa para seu isolamento.

Luke (Oliver Jackson-Cohen), o irmão mais novo e gêmeo de Nell (Victoria Pedretti), é o ponto central do quarto episódio, onde o telespectador conhece sua luta contra o vicio em drogas. A heroína funciona para ele como um refúgio para as assombrações de sua infância, especialmente com relação ao “Homem de chapéu” que o persegue durante todo o curso de sua vida.

A protagonista da série, Eleanor, é evidenciada no quinto episódio. Nell sofre desde criança com aparições assustadoras do que ela chama de “A Mulher do Pescoço Torto” (que futuramente descobriremos ser a própria Eleonor). Os traumas de infância recaem drasticamente sobre a personagem principal, de modo que, ela se torna a mais fragilizada psicologicamente, desenvolvendo, inclusive, uma doença chamada paralisia do sono.

Vale ressaltar que o seriado aborda de forma acentuada os problemas correlacionados à saúde mental, solidificando a importância dos cuidados para com a doença do século.

Os episódios seguintes são inteiramente voltados para esclarecer as ocorrências que culminaram ao evento principal, qual seja a morte de Nelll.

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Oportuno consignar que a maneira como o terror psicológico foi trabalhado no seriado é muito intrigante, já que ainda que cada episódio possua em torno de uma hora, prende a atenção do telespectador e cria um ambiente opressivo, com poucos jump scares para causar impacto (o seriado possui inúmeros fantasmas easter eggs), mas carregadíssimo na intensidade.

No mais, necessário vangloriar o trabalho do escritor e diretor, pois efetivamente a série não deixa pontas. Os últimos dois episódios são arrebatadores e extraordinariamente expositivos, deixando com que o espectador monte o quebra-cabeças com as pequenas “peças” entregues em seu curso, e arrebatando um final completamente inesperado ao explicar a desenvoltura do quarto vermelho.

Aliás, o ápice é justamente a descoberta sobre o tão misterioso quarto, pois em que pese fosse um incalculável enigma aos olhos dos telespectadores, todos já o conheciam como a casa da árvore do Luke, a sala de dança da Theo, a sala de leitura da Olivia e assim por diante. O cômodo funciona como o estômago da casa, alimentando-se de cada um de seus hóspedes para mantê-los para sempre naquele organismo solitário chamado de Hill House.

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A Maldição da Residência Hill (Netflix) – Resenha

Além de um espetacular enredo e maravilhosa atuação do elenco, a série ainda conta com a peculiaridade de ter sido gravada em um plano sequência gigantesco, ou seja, em uma única tomada de pelo menos 15 minutos. O plano sequencial mais elaborado fora notadamente à cena do funeral, com um take de filmagem de aproximadamente 20 minutos e utilização de cadeiras de rodas para movimentar as câmeras, criando a ilusão de rotatividade.

Ademais, as gravações da cena em que Hugh tira as crianças de casa porque Olivia está atordoada também tornaram-se auge de criticas positivas, pois nitidamente houve uma sintonia transcendental entre os atores, aumentando o realismo da produção sequencial. E para que não sobeje quaisquer dúvidas quanto a intensidade da supradita cena, posso destacar a veemência de Olivia em preservar a juventude dos filhos pequenos para tê-los por perto eternamente; a abordagem da casa como um verdadeiro personagem, apontando os demônios de cada um dos irmãos para sugar suas vidas; assim como o último vestígio de um pai em tentar proteger seus pequenos herdeiros e por fim; a dor da família Dudley ao perder sua filha “imaginária”, Abgail; todos destaques como pontos cruciais para promover no espectador as sensações de empatia, euforia e  ao mesmo tempo desespero.

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Assim, em razão da cristalina elucidação que o seriado impõe a quem está vidrado nele, acredito que não há como a Netflix produzir uma segunda temporada erguendo como pilar a história da família Crain, no entanto, diante do estrondoso sucesso, nada impede que a provedora global solicite uma produção direcionada a um prelúdio ou a narrativa de outra família na casa.

De qualquer maneira, até o presente momento o seriado veio como um presente para os fãs dos gêneros terror e drama, carregado de surpresas e mistérios capazes de motivar e entreter até o mais cético dos espectadores. Confira essa trama e desafie-se a dormir tranquilamente durante à noite!

Essa foi nossa análise crítica da séries A Maldição da Residência Hill (Netflix) – Resenha. Confira nossas outras resenhas de séries da Netflix.

Análise Crítica
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Título Original
A Maldição da Residência Hill (Netflix)
Nota do Autor
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