Black Mirror (4ª Temporada) Netflix – Resenha

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Black Mirror – Resenha da quarta temporada

Título Original: Black Mirror – Season 04
Ano: 2017
Criação: Charlie Brooker | Nº de Episódios: 06
Avaliação: ★★★★☆ (Ótimo)

Após aproximadamente dois anos, Black Mirror retorna com mais seis episódios bastante esperados, mas que andam dividindo opiniões com o público em geral. O que não se nega, no entanto, é que o hype sobre a série continua alto e que esta se tornou um dos carros-chefes da Netflix desde que a plataforma assumiu a produção da série na terceira temporada.

A quarta temporada de Black Mirror segue um formato bastante parecido com a anterior – seis episódios avulsos, aparentemente não conectados (exceto por Black Museum, que recomendamos, de fato, assistir por último) e com pano de fundos distintos, contando também com direção e produção distintas.

O ponto positivo, e que garante a maior qualidade da atual temporada em relação à terceira, é a presença dos roteiros do criador Charlie Brooker em todos os episódios. Deste modo, a série resgata, ao menos em parte, a essência de surpresa e repulsa que os episódios de Black Mirror ficaram conhecidos por causar, especialmente nas primeiras temporadas.

Por outro lado, alguns apresentam pouca profundidade como estória ou mesmo exploram pouco o potencial das premissas que sugerem. Em linhas gerais, a quarta temporada traz alguns episódios capazes de agradar aos diferentes fãs da série e também novos, sem deixar de lado a questão de mais entretenimento e uma visão mais “otimista” pela qual alguns episódios da terceira temporada fizeram sucesso.

Para destrinchar melhor a avaliação da temporada como um todo, apresentamos também abaixo a resenha individual de cada um dos seis episódios:

01. USS Callister

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Direção: Toby Haynes | Avaliação: ★★★★☆ (Ótimo)

USS Callister vem com uma premissa diferente de qualquer outro episódio de Black Mirror. A princípio, se apresenta como uma sátira de Star Trek, mas logo entendemos que o contexto da nave Callister é bastante repulsivo.

Apresentar a síntese do episódio por si só já é um spoiler, portanto vamos nos ater somente a dizer que USS Callister joga com a cabeça do espectador ao saber inverter os valores de empatia. Basicamente, a trama aborda o uso de tecnologia para manipulação de realidade e duplicação de consciência, mas passa longe de causar horror no espectador e, inclusive, traz tons mais aventurescos – o que não chega a ser um demérito, mas uma nova tentativa de abordagem que se mostra interessante.

Este também é o episódio com elenco mais robusto e conhecido: Cristin Millioti (Tracy de How I Met Your Mother) e Jesse Plemons (Breaking Bad, Fargo) protagonizam, além de Jimmi Simpson (Westworld) e Michaela Coel (Chewing Gum, da Netflix), entre outros.

02. Arkangel

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Direção: Jodie Foster | Avaliação: ★★★★☆ (Ótimo)

Foi o primeiro episódio de Black Mirror dirigido por uma mulher – a consagrada atriz Jodie Foster – e traz um forte questionamento quanto aos limites de uma relação entre pais e filhos.

Em Arkangel, uma mãe solteira decide implantar um monitor em sua pequena filha após esta se perder em um parque. O equipamento implantado, no entanto, vai muito além da localização, fornecendo, por meio de um monitor, informações como metabolismo e a própria visão da pessoa monitorada, que ainda pode sofrer um filtro de censura.

Logo, com o crescimento da menina, começam os questionamentos sobre liberdade, privacidade e o quanto uma criação desprovida de perigos e cheia de censura pode afetar o desenvolvimento natural de uma pessoa.

Não se trata de um episódio dos mais surpreendentes ou com melhores atuações, mas tem uma das premissas mais interessantes de toda série e que, neste caso, é bem desenvolvida.

03. Crocodile

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Direção: John Hillcoat | Avaliação: ★★★☆☆ (Bom)

Crocodile trata-se, basicamente, de um suspense policial que tem a tecnologia apenas como pano de fundo, e não o contrário, como a maior parte dos episódios de Black Mirror.

Uma jovem chamada Mia (Andrea Riseborough) e seu então namorado cometem um homicídio acidental e acobertam o crime. Anos depois, Mia se vê obrigada a revisitar seu lastro de crime quando uma investigadora da companhia de seguros precisa acessar suas memórias após ela presenciar um acidente.

O destaque fica para a atuação de Riseborough e o desenvolvimento de sua personagem, além da interessante ideia da tecnologia de detalhamento da memória. No mais, o episódio possui contornos bastante previsíveis.

04. Hang The DJ

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Direção: Tim Van Patten | Avaliação: ★★★☆☆ (Bom)

Hang The DJ pode ser considerado o Saint Junipero desta temporada, ou seja, o episódio com teor romântico e intenção otimista.

A ideia principal é a existência de um sistema automático de agendamento de casais, que não somente realiza as combinações por parâmetros, mas também estima o tempo de duração de cada realização. O sistema se diz evolutivo e garante ao usuário que todas as experiências culminarão no match perfeito –  quando o usuário adquirir a experiência suficiente, encontrará sua alma gêmea.

O episódio levanta bons questionamentos quanto ao caráter das relações amorosas – e a cada vez mais eminente automatização destas – em nossa sociedade e também consegue gerar certa angústia ao espectador até determinado momento, quando a estória começa a apresentar seu final sem que as revelações sejam tão surpreendentes.

O ponto mais interessante de Hang The DJ é que sua premissa é, possivelmente, a mais próxima de nossa atual realidade.

05. Metalhead

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Direção: David Slade | Avaliação: ★★★☆☆ (Bom)

Metalhead possui uma das fotografias mais incríveis de Black Mirror – em preto e branco – usada inteligentemente para conduzir a estória no ambiente pós-apocalíptico em que a trama é ambientada.

O que falta ao episódio, especialmente, é a ausência de profundidade. Metalhead apresenta um cenário onde a ausência de recursos básicos é eminente e onde as máquinas vigiam e perseguem os humanos. O que se vê, então, é uma contínua caçada de uma máquina em forma de cão a uma sobrevivente em busca de suprimentos para seu grupo.

Embora tenha um suspense inquietante e muito bem conduzido, aliado ao visual sombrio e o silêncio quase constante, Metalhead deixa a impressão de que poderia apresentar algo mais e não inova em sua ideia.

06. Black Museum

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Direção: Colm McCarthy | Avaliação: ★★★★★ (Excelente)

Black Museum é, de longe, o melhor episódio da temporada e certamente um dos melhores de toda série.

Neste, uma jovem visita um museu em meio à estrada enquanto abastece seu carro. Ela conhece o dono, Rolo Haynes (Douglas Hodge), um ex-empreendedor da tecnologia para uso cerebral que lhe apresenta as principais atrações do museu – relíquias do crime, as quais incluem artefatos apresentados em outros episódios de Black Mirror, incluindo detalhes desta mesma temporada.

Ao mesmo que apresenta as atrações, Rolo conta a estória por trás de alguns deles – tramas impressionantes e que por si só são melhores que alguns dos contos apresentados nesta quarta temporada. No entanto, o maior segredo do museu está por trás de sua principal atração: uma “alma” digitalizada de um condenado à morte.

Com enredo surpreendente e a sensação de horror e agonia à muito não vista na série, Black Museum possivelmente levará Black Mirror a abocanhar algum prêmio no próximo Emmy.

Considerações finais

A quarta temporada de Black Mirror tenta mesclar o horror clássico da série a uma abordagem por vezes destrinchada em outros gêneros da ficção, o que por vezes soa confuso ou raso, mas, que de modo geral, ainda apresenta estórias interessantes as reflexões necessárias pelas quais a antologia ficou conhecida.

Fica clara a intenção de expandir o público de alcance, e como toda obra que se propõe a isso, Black Mirror tende a receber elogios e tapas vindos de todas as partes, mas com a garantia de que ainda tem muitas tramas e possibilidades a serem exploradas futuramente.

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