Club de Cuervos (3ª Temporada) Netflix – Resenha

club de cuervos terceira temporada

Resenha da terceira temporada de Club de Cuervos, da Netflix

Ano: 2017
Título Original: Club de Cuervos
Produção: Netflix | Nº de Episódios: 10
Avaliação: ★★★★★ (Excelente)

Sempre surpreendente. A terceira e mais recente temporada de Club de Cuervos explora novos ares e apresenta uma série de personagens inéditos, além de dar maior destaque a alguns coadjuvantes até então pouco explorados. Todo mérito à Netflix Latinamérica e aos criadores Gaz Alazraki e Mike Lam, que podem se orgulhar de uma obra tão original quanto esta.

O cenário da vez é, principalmente, a influência da política no futebol – algo bastante comum na América Latina, especialmente. A relação entre conglomerados de TV, partidos políticos, diretores esportivos e mandatários de grandes empresas e clubes de futebol é exclamada de forma que soa bastante familiar a quem acompanha o esporte, um retrato comum do que são os bastidores da política em países como o México e mesmo o Brasil, com a atuação forte dos chamados “cartéis” e o tráfico de influência.

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Se tivemos a primeira temporada focada em Chava como presidente e a segunda com Isabel, desta vez presenciamos o nascimento de um novo Club de Cuervos sob a gestão dos dois irmãos. O clube surge após o golpe de Chava com a compra dos Carneros, que subiram à primeira divisão, e sua oferta para que Isabel aceite uma fusão. Deste modo, ambos passam a ser donatários do novo clube, mas agora se encontram sem estádio, jogadores e uma série de embólios políticos e diretivos que os farão questionar a decisão tomada e mesmo suas vidas pessoais.

Aqui vemos mais que nunca as ótimas atuações de Luis Gerardo Mendéz e Mariana Treviño, cuja química torna os protagonistas da estória uma das duplas mais carismáticas das séries da Netflix. De modo especial, os dois personagens são levados ao extremos nessa temporada, tendo muito mais dos seus lados pessoais explorados, exigindo uma carga dramática maior que carrega boa parte dos episódios – mas sem deixar que o humor clássico da série deixe de se fazer presente.

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O tom humorístico fica a cargo, principalmente, dos assistentes pessoais Hugo Sánchez e Carmelo, que inclusive passam a se unir para tentar com que Isabel e Chava possam finalmente conviver em paz e, para isso, vivem situações absurdas. A candidatura de Chava ao governo de Nuevo Toledo também traz consigo alguns dos momentos mais hilários de toda série, dada a compostura do candidato diante das embaraçosas e inusitadas situações pelas quais um postulante a eletivas públicas precisa se submeter.

Alguns personagens como Mary Luz e Félix deixaram de participar desta temporada, mas os novos personagens também são bastante interessantes e agregam à trama principal. O mega empresário Armando Cantú (Tomás Gorós) e sua filha, Isabel Cantú (Melissa Barrera), se afiliam diretamente ao caminho de Chava e sua irmã, e destaque também para os novos jogadores do Club de Cuervos, em especial o hilário goleiro “El Pepenador” (Raúl Briones).

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Entre outros personagens já existentes na série, se sobressai Cuau (Said Sandoval). O jogador é inserido em uma trama relacionada à luta por direitos dos jogadores e sindicalização da classe. Cuau passa a liderar um movimento local pela manutenção de jogadores mexicanos na liga, movimento este que é encabeçado na série pelo zagueiro Rafa Márquez – veterano  e capitão da Seleção Mexicana, campeão da Copa das Confederações de 1999 e atual jogador do Atlas – que interpreta a si mesmo, ao lado do ex-jogador na vida real Kikín Fonseca.

Outro fator interessante e inédito até então na série é a presença constante de flashbacks, estes com o intuito de mostrar o passado dos irmãos Salvador e Luis Iglesias, apresentando a origem da família e como estes se tornaram os magnatas e “salvadores” de Nuevo Toledo. As cenas que exibem o passado são destacadas em um tom de sépia, uma jogada interessante de fotografia para resgatar o ar nostálgico e descartar a necessidade de cortes secos entre esta narrativa e a original, no presente.

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A 3ª temporada de Club de Cuervos consegue se aprofundar mais nos bastidores do mundo da bola em uma visão macro, deixando um pouco de lado as cenas de campo e menos focada nos vestiários – o que, na verdade, não é nenhum demérito, e sim um recurso muitíssimo bem utilizado para que a trama não se torne repetitiva em sequer um momento. Que venha a quarta temporada!

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