Final Space (2018) – Resenha

Ano de exibição: 26 de fevereiro (TBS) 20 de julho (Netflix) – 10 episódios
Título Original: Final Space
Criador: Olan Rogers
Avaliação: ★★★★★ (Excelente)

Recentemente, a Netflix trouxe à plataforma a série Final Space. A obra é uma típica animação onde citamos: “isso não é coisa para criança“. A criação de Olan Rogers cita alguns temas recentes e faz referências à outras obras com os temas de ficção cientifica e aventura espacial. A narrativa gira em torno do “protagonista” Gary Godspeed (você entenderá o porquê das aspas no decorrer do texto), que após dar em cima da militar Quinn e provocar acidentes em naves da Guarda Infinita, foi levado para uma prisão/nave (Galaxy One) dirigida por uma inteligência artificial. Há algumas semanas para cumprir a sua pena de 5 anos, o garoto conhece o ser E-351, logo apelidado de Mooncake. O que Gary naquele momento não sabia é que, a pequena criatura é muito poderosa (conhecida também como destruidora de planetas) e os guardas de Lord Commander (o vilão) estavam atrás do dele.

A partir desse start, as aventuras espaciais de Gary começam. O rapaz é o típico protagonista de bom coração, atrapalhado e brincalhão (muitas piadas do estilo americano são soltas durante os episódios). Gary conta os dias para sair dali e voltar a encontrar a sua amada Quinn. A IA (inteligência artificial) que comanda a nave a Galaxy One, HUE, supervisiona toda a “estadia” do rapaz durante sua pena, porém não é só a única tecnologia presente ali. Junto com o humano estão presentes diversos robôs humanoides, que ganham nomes próprios dados pelo próprio rapaz, e o robô KVN por quem Gary nutre profundo ódio.

Como já citado, há presente na animação algumas questões atuais, como a forte presença das IA’s no nosso. Há também questões sociais como a exclusão e desconsideração de opiniões femininas por parte de lideranças masculinas e sobre a questão de identidade de gênero (sobre o personagem Tribore). Em um dado momento da animação, de uma maneira bem natural e quase sem perceber, é abordada a crise de ansiedade que Gary sofre. Há também um momento muito rápido da trama uma referência à teoria da “terra plana”.

Além desses assuntos do cotidiano, a animação mesmo sendo uma comédia, ela te torna-se uma comédia dramática. Final Space não foi feito para você gargalhar. A narrativa sempre traz diversos momentos cômicos durante os episódios, mas que são bruscamente interrompidos por ações repentinas e dramáticas. A carga de drama que Final Space possui é muito bem trabalhada. E isso é trabalho nos personagens.

Os amigos que Gary passa a fazer durante a narrativa possuem uma carga dramática junto consigo antes de se juntar ao rapaz. O principal exemplo disso é Avocato (Avogato), que está em busca de seu filho Little Cato (Gatito) preso pelo Lord Commander. Pai e filho passam por cenas onde você cria uma empatia pelo personagem e passa a entender o porque de suas ações. O que também acontece com Quinn, que precisa se provar durante a animação e que também traz consigo uma forte filosofia de vida, porém age muitas vezes impulsivamente. A importância da resolução dos problemas dos personagens, bem como suas relações os fazem ganharem grande importância durante a animação. É por isso que a empatia que se é criada faz-se colocar as aspas empregadas no começo do texto sobre o protagonismo na série, mesmo sendo Gary o foco principal.

Há também uma simbologia por trás de Final Space. Por muitas vezes, o robô KVN parece remeter a um otimismo que está em falta em todo ambiente da Galaxy One e principalmente em Gary. Bem como os biscoitos que o rapaz tanto anseia, em casos parece remeter a liberdade que o mesmo ainda não possui e tanto deseja (em diversos aspectos). Por muitas vezes, Final Space também remete a outras obras de aventuras e ficções espaciais. A estrutura hierárquica dos exércitos e objetivos da história fazem lembrar Star Trek e Star Wars. Alguns personagens e lemas dos mesmos também fazem alusão a Guardiões da Galáxia.

Final Space possui uma fotografia, corte e construção de cenas bem feitas. Além de um grande elogio a trilha sonora elaborada para as cenas, principalmente as dramáticas, que capta e te leva para o mesmo sentimento dos personagens. A mistura do 2D com 3D é feita de forma bem natural, não causa um estranhamento ao assistir. Vale a pena assistir a animação, lembrando que em 2019 foi confirmada a segunda temporada.

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Análise Crítica
Data
Título Original
Final Space
Nota do Autor
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