Maniac (Netflix) – Resenha

Maniac (Netflix) – Resenha

Maniac (Netflix) Resenha – Uma crítica quase sem spoilers sobre um Cyberpunk excessivo e apaixonante!

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Maniac é a mais nova ficção cientifica produzida pela Netflix, criada por Patrick Somerville, dirigida por Cary Joji Fukunaga (It, a coisa e The Alienist), que estrela Emma Stone (La La Land e Histórias Cruzadas) e Jonah Hill (O Lobo de Wall Street e Click) como principais personagens do elenco.

Trata-se de uma minissérie baseada em um seriado norueguês de mesmo nome, já existente, onde os protagonistas estão imersos em profunda tristeza e solidão e uma nova tecnologia é testada no intuito de retirá-los dessa condição.

Supostamente, diante do formato minissérie, Maniac encerra as atividades com apenas uma temporada, mas suspeito que em decorrência do sucesso estrondoso veiculado a ela, eventualmente pode ser que a Netflix opte por dar uma continuidade.

É imperioso ressaltar a atuação dos personagens principais, que já haviam trabalhado juntos no clássico geek “Superbad”, e nessa nova fase encontram-se no mais avançado desenvolvimento artístico. Ambos transmitem profundidade e intensidade admiráveis, fazendo com que o espectador se emocione e angustie a medida que acompanha a história dos protagonistas.

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No longa, Jonah Hill interpreta Owen, um rapaz pertencente a uma família milionária, poderosa e inescrupulosa. Ele sofre de esquizofrenia e justamente por conta de seu problema psicológico, é rejeitado por sua família. Frequentemente, Owen passa por delírios e acredita fazer parte de algum tipo de conspiração governamental, onde um individuo (muito semelhante fisicamente a seu irmão) o faz acreditar que seu objetivo na Terra é salvar o mundo.

Paralelamente, conhecemos Annie, interpretada por Emma Stone, uma jovem atormentada por seu passado familiar, e que no intuito de esquecer seus problemas, acaba viciada em uma droga produzida pela empresa Neberdine Pharmaceutical & Biotech. Annie sofre pela culpa de perder sua irmã, Ellie Landsberg (Ozark) em um acidente de trânsito, por ter sido abandonada pela mãe quando criança e por seu pai viver em uma espécie de cápsula de isolamento nos fundos de sua casa, de modo que a pílula “A” a mantém viva, porém, não lúcida para encarar a realidade.

Owen, motivado a desvincular-se de sua família, compra um apartamento minúsculo e procura métodos para arrecadar dinheiro. Já Annie, busca desesperadamente meios para obter mais da medicação em que está viciada e que não consegue mais ter acesso ilicitamente. Ambos os personagens tomam ciência sobre um experimento produzido pela empresa Neberdine Pharmaceutical & Biotech que, em tese, utiliza-se de comprimidos (aqueles em que Annie é viciada) para garantir felicidade constante, e cada um por suas intimas razões, decidem candidatar-se a participarem de ensaios remunerados para testes desse novo tratamento.

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O Universo de Maniac se torna notável quando os dois personagens se encontram e a história passa a se interligar.  

Importante salientar que a minissérie se passa em um ambiente Cyberpunk, ou seja, um lugar controlado por tecnologias da informação em uma esfera de dominação da sociedade, de revolta e tristeza de seus cidadãos e da degradação do estilo de vida, manifestada nitidamente pelos locais minúsculos e informatizados, pelo uso excessivo de cores saturadas em neon contrabalanceando os ambientes cleans, e pelo uso de aplicativos como “Friend Proxies”, que proporcionam aos seus usuários uma espécie de “amigo de aluguel”.

Aliás, o estilo Cyberpunk é tão notório que se tornam drásticas as referências a Blade Runner, clássico cinematográfico de 1982, recentemente objeto de um remake; assim como de Tron: O Legado, que mescla bem a realidade paralela abordada.

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Nessa esteira, o espectador sente um imenso desconforto, haja vista que não consegue identificar exatamente em que ano se passa a minissérie, justamente em consonância com o explicitado, já que a ambientalização dos cenários nos remete as épocas setentista e oitentista, sobrepostas pela perspectiva da quantidade de máquinas e computadores que coordenam a vida dos seres humanos. Ou seja, ao mesmo tempo que as personagens apresentam-se interagindo com indivíduos cibernéticos, pessoas vivendo em imóveis subterrâneos, vendendo seus rostos para campanhas publicitárias por meio de aplicativos, e “comprando” amizades, o seriado mostra trajes e trejeitos específicos das décadas de 70 e 80, assim como o uso excessivo de cigarros em espaços fechados.

O desconforto daquele que acompanha o seriado continua quando o longa apresenta o inicio da fase de testes, pois ainda não há compreensão sobre o que está por vir. A principio é explicado que o tratamento possui três pilares, expressados pelas pílulas: A, responsável por trazer a tona o pior momento da vida de cada participante; B, responsável pela absorção e assimilação dos participantes no contexto em que estão inseridos; e C, responsável pelo confronto final.

À medida que tomam os comprimidos, são colocados à prova mediante diferentes cenários e situações, de modo que os protagonistas não conseguem mais diferenciar a realidade de suas vidas e dos ensaios. Contudo, algo curioso ocorre com Owen e Annie, já que a psique dos dois insiste em inseri-los na mesma situação irreal.

O desenvolvimento das histórias flui de uma maneira muito interessante, onde os dois primeiros episódios são focados nas histórias dos dois protagonistas e os seguintes nos processos que passam nos testes na empresa. Entre os episódios é possível perceber referências clássicas como “Os oito odiados”, no visual típico do Quentin Tarantino onde Annie troca tiros com mafiosos; “O Senhor dos Anéis”, em lógica alusão ao condado e aos Hobbits Frodo e Sam, no papel de Annie e sua irmã; tudo isso inserto em um enorme mundo de “Brilho eterno de uma mente sem lembranças” e “A Origem”, demonstrando a necessidade dos participantes do ensaio em esquecer ou aprender a conviver com memórias que os machucam.

Em contraposição, Dr. James (Justin Theroux), Dra. Azumi Fujita (Sonoya Mizuno) e Dra. Greta (Sally Field), funcionários do laboratório, compõem o núcleo de personagens que se mantém do lado analítico do experimento. A série brinca com a ironia de que indivíduos totalmente abalados e desnorteados psicologicamente tentam curar feridas de terceiros, quando na prática, sequer curaram a si próprios, construindo no espectador a sensação de que todo o contexto fático na verdade funciona como uma esperança de auto-salvamento. Prova disso, é a necessidade de adicionar empatia a GRTA (Sally Field) e as consequências de sua afeição pelo Dr. Robert Muramoto (Rome Kanda), que acabam por acarretar a necessidade de manter seus “McMurphys” consigo (nomenclatura cristalinamente utilizada em referência ao filme “Um estranho no Ninho”).

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Vale notar que quando o espectador começa a se perder entre a realidade dentro dos ensaios e àquela originalmente apresentada, a minissérie sutilmente acrescenta elementos norteadores, como experiências e memórias da vida real de cada personagem, além de situações reconhecíveis e ainda, perspectivas dos próprios protagonistas, elaboradas sobre si próprios e claramente distorcidas. Assim, agrega-se aos ensaios, por exemplo, um segurança que se torna guarda ambiental, uma psicóloga transformada em uma renomada anfitriã da alta sociedade e até mesmo uma propaganda que ressurge como chofer.

A minissérie transcorre fascinando o telespectador, que luta para entender porque duas mentes tão distintas insistem em se conectar em duas realidades paralelas, assim como segue encantando àqueles apaixonados por narrativas e clássicos da dramaturgia, dando toques vastos de surrealismo e fantasia e nos mostrando a importância da interatividade com outros seres humanos.

À titulo de bônus, não posso deixar de evidenciar a trilha sonora de Maniac, responsável pela sensação de desespero, perdição e expressividade causada naqueles que observam atentamente a série, guiando os próximos picos de surrealismo. Insta enfatizar que a trilha é um recurso fundamental para qualquer obra cinematográfica, justamente por ser o elemento que dá ritmo ao filme e que contribui para emocionar, causar medo ou empolgar, e no longa em apreço nitidamente a música escolhida ajudou na narrativa e nas composições de cenas dos personagens.

Eu, particularmente, fiquei enfeitiçada pelo universo de Maniac, que é tão excessivo e viciante quanto Annie e Owen. No meu ver, a minissérie atinge pontualmente uma problemática cotidiana da nossa sociedade, que tende a se desenvolver e ocasionalmente piorar, já que a cada dia que passa percebemos o uso abundante e despropositado de dispositivos móveis, redes sociais e a consequente diminuição de interatividade humana corporal.

Como um bom Cyberpunk, o seriado nos deixa o questionamento sobre o rumo do uso da nossa tecnologia, pois ao mesmo tempo que atua como escopo de conduzir a prosperidade e avanços medicinais, econômicos, entre outros, traz consigo o peso das problemáticas sociais, doenças envolvendo danos psicológicos oriundos da ausência de conexões reais e o vazio motivado pelo relacionamento com máquinas.

Além de proporcionar uma experiência extremamente válida ao público em defluência das referências cinematográficas, da linda fotografia e da qualidade musical, Maniac agrada àqueles que buscam refletir sobre sua própria existência, sobre o potencial da mente humana e sobre os reflexos de uma sociedade que caminha pela inversão de papéis entre máquinas e seres humanos.

Essa foi nossa análise de Manic (Netflix) – Resenha, para outras análises visite nossa área de Séries.

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Análise Crítica
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Maniac (Netflix)
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