Você (You) Netflix – Resenha

Você (You) Netflix – Resenha

você! netflix resenha

Ano: 2018
Título Original: You
Dirigido por: Greg Berlanti e Sera Gamble
Avaliação: ★★★★★ (Ótimo)

Você (YOU) é o novo thriller psicológico da Netflix, estrelado por Penn Badgley (Joe Goldberg) e Elizabeth Lail (Guinevere Beck), que estreou na plataforma streaming no dia 26 de dezembro de 2018 e em menos de 20 dias já está fazendo um sucesso estrondoso.

A trama é oriunda de um Bestseller de mesmo nome, do The New York Times, de autoria de Caroline Kepnes, digno de elogios de escritores renomados como Stephen King e Sophie Hanna. Traz um romance obsessivo e intenso nutrido entre os protagonistas, capaz de deixar qualquer espectador curioso para acompanhar a trajetória dos fascinantes personagens e ao mesmo tempo repensar a “sadia” exposição em redes sociais.

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Inicialmente, quando Guinevere Beck, linda, doce e sensual aspirante à escritora entra casualmente na livraria East Village, Joe Goldberg, recém saído de uma desilusão, volta a ter esperanças imediatas no amor. Em paralelo, a jovem mal podia imaginar que, em tese, aos olhos do tímido e charmoso vendedor, ela seria a mulher perfeita.

Manifesta-se a surpresa quando aos olhos do telespectador Joe se torna um psicopata calculista, metódico e obsessivo (interpretado com maestria por Penn Badgley)
A narrativa em primeira pessoa conta ao ansioso público a perspectiva de Joe ao conhecer Beck, público este que tenta compreender como na cabeça obsessiva do protagonista, o fato de uma cliente pagar os livros adquiridos com cartão de crédito e não com dinheiro simboliza uma cristalina demonstração de interesse. Joe aproveita-se do ensejo e logo na mesma tarde vasculha na internet o nome impresso no cartão, estudando cada traço de personalidade de sua nova paixão, no intuito de conquista-la.

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Astutamente, Joe passa a stalkear Beck desenfreadamente, passando inclusive a segui-la, forjando um encontro ao acaso para trazê-la para sua vida. A partir desse momento, ele passa a utilizar-se de subterfúgios desonestos para transparecer a ilusão de “príncipe encantado” e os episódios se tornam ainda mais fluídos.

O nível “stalker” é tão alto que Joe cria uma devoção imensurável por Beck e tenta defendê-la de tudo e todos que possam ser considerados, em sua concepção, como ameaças, mesmo que para livrar-se dos estorvos ele precise chegar a extremos como sequestros e assassinatos.

A série trabalha muito bem com o psicológico dos personagens, tanto é que, o telespectador percebe que na visão do narrador Joe, ele efetivamente acredita que todas as decisões absurdas tomadas no curso do longa são em pró de Beck e a forma engraçada e simplória como a história é contada chega até mesmo a acarretar naqueles que assistem uma empatia pelo vilão. Em contraposição, como um exemplo de manipulação magistral, o longa faz com o espectador crie um desprezo por Beck, já que à medida que se passam os capítulos, a mesma se mostra egoísta, confusa, insegura e tóxica.

O monólogo despeja o doentio comportamento de Joe, suas frustações e angústias agravadas quando a sociabilidade de Beck e sua volatilidade se tornam estopim para o protagonista, que por sua vez passa a agir violentamente e cinicamente não só com a “mulher de seus sonhos”, mas também com aqueles que a rodeiam.

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Toda e qualquer atitude de Joe é pensada e treinada anteriormente já analisando a posterior reação de Beck, e o protagonista executa suas artimanhas de forma articulada e observadora, tomando decisões considerando as avaliações psicológicas humanas e linguagem corporal de todos os envolvidos na trama.

Nesse sentido, oportuno salientar que Joe é um verdadeiro stalker, ou seja, literalmente um perseguidor, que importuna de forma insistente e obsessiva uma outra pessoa. Esse conceito é importante para enfatizar que usualmente utilizamos essa palavra para brincar com pessoas que, exemplificadamente, pesquisam o “ex” no instagram ou algo semelhante, porém essa simples atitude é completamente diferente do carismático vilão de Você (You).

O seriado é polêmico justamente por trazer a tona o contexto temporal em que vivemos, onde é praticamente impossível fugir da internet e a tendência é uma exposição massificada de opiniões, fotos e fatos de extrema relevância pessoal em redes sociais, muitas vezes em substituição aos bons e velhos amigos “reais”. Não há como o telespectador assistir os 10 episódios sem repensar ou cogitar sua própria vida e o nível de incidência de artifícios tecnológicos nela, já que por mais absurdas que pareçam as atitudes do protagonista, elas são plenamente executáveis.

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No mais, a trama faz uma alerta a outro problema muito recorrente nos dias atuais, qual seja a excessiva ocorrência de relacionamentos abusivos, sejam eles entre namorados, familiares ou amigos. Na série é perceptível à linha tênue entre o príncipe encantado e o louco obsessivo, assim como a fiel amiga e a invejosa stalker obsessiva, demonstrando que na suma maioria das vezes em que um abuso acontece, o abusador é alguém que “ama” muito e o abusado não consegue vislumbrar a nefasta relação e dependência.

Em síntese, Você (You) é um suspense psicológico muito interessante e aborda temas polêmicos e atuais, porém não de forma infantil ou insatisfatória, ao contrário, provoca no espectador comoção, encanto, raiva, curiosidade e choque diante dos caminhos trilhados pelos personagens. Ao meu ver, em que pese tenha um final diferente do livro (o que foi surpreendente) é um longa arrebatador, que merece plenamente ser visto.

E para quem gostar da primeira temporada, saiba que a Netflix já comprou todos os direitos da Lifetime e que logo logo seremos agraciados com uma segunda temporada. E essa foi a nossa resenha de Você (You) Netflix. Para ver resenhas de outras séries, entre na nossa seção especializada.

Análise Crítica
Data
Título Original
Você Netflix
Nota do Autor
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